sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Para Refletir: "Por uma vida mais plena*"

Hoje andei olhando algumas coisas que já escrevi e – Meu Deus! – como o que eu escrevo soa clichê algumas vezes (se não todas ...). Mas, ao mesmo tempo, é algo do qual não consigo me livrar, já que as palavras, as frases, simplesmente vêm e me tomam por completo. Geralmente sobre fatos, acontecimentos, frases, imagens, que me colocam a divagar e sentir uma espécie de comichão. E o resultado, bom, deixo a vocês julgá-lo. 

Às vezes, como agora, fico pensando nos medos que alimentamos. Sim, NÓS, também os tenho, em algumas ocasiões acabo sentindo que até em demasia. Medos que vão desde os pequenininhos, até aqueles bem maiores; dos explícitos, aos que estão ocultos tão, mas tãaaaao fundo, que só percebemos seu pálido reflexo, distorcido e condensado. 

E de onde vêm os medos? Essa seria uma pergunta muito pertinente, já que as vezes os medos se parecem muito com parasitas. Vão se infiltrando, procriando e reproduzindo, e quando percebemos já temos uma infestação. Noutras, são como pequenos monstrinhos, que quanto mais alimentados são, maiores ficam – até tornarem-se seres horrendos e apavorantes, aparentemente indestrutíveis. 

Os medos começam na infância. O medo de ficarmos sozinhos e sermos abandonados por nossos pais, viram medo do escuro. O medo de crescer, pesadelos, medo de dormir sozinhos. Na verdade, quando pequenos somos muito bons em criar criaturas – ou nos apoderarmos das que a televisão gratuitamente oferece – a quem temer na solidão do quarto. Afinal, alguns pais exigem uma explicação: “Medo de que menina?” Apenas para que também possam mitigar seu próprio medo de não serem bons pais. Tendo um monstro ao qual negar a existência, fica mais fácil. 

Mas e quando ficamos adultos? Aí a coisa se complica. Medo de barata e aranha, esses se resolvem com qualquer desses venenos em aerossol e, na falta destes, um tamanco bem duro ou um chinelo havaianas também dão para o gasto. Mas e o medo de perder o emprego? Ou de que aqueles que nos são caros sejam-nos tirados de forma abrupta? De ser assaltado? De sofrer de uma doença incapacitante? 

No final, se formos resumir, parece que nossos medos resumem-se todos a uma e única coisa: medo de sofrer. E não há lugar onde estes medos mais mostrem suas caras horrendas do que em terapia. E como é difícil quando as pessoas decidem mergulhar dentro delas próprias e olhá-los frente a frente. Afinal, na maior parte do tempo também temos medo de sentir medo ... 

Vejo muitas pessoas desistindo em função de seus medos. E, até quando elas desistem somente da terapia, isso até não é dos males o pior. Ruim mesmo, é ver pessoas que desistiram da vida – e não, não estou falando de pessoas deprimidas, que falam em tirar a própria vida. Por que essas ainda se permitem entrar em contato com a dor; falo daqueles que desistem de sentir. 

Elas não fazem amigos – para quê? São todos falsos mesmo. Elas não vivem grandes paixões. Não adianta nem começar, pois estão fadadas a terminarem. Elas não se envolvem com a política, pois já não existe o que fazer em relação a isso. Elas não torcem por nada, nem esperam por nada, assim nunca se decepcionam. E, claro, elas não tem MEDO de nada. Afinal, é tudo tão trivial ... 

Algumas vezes tenho medo de me machucar e decepcionar, choro, fico braba, erro, peço desculpas, choro mais um pouco, erro outras tantas vezes. Volto, corro, levanto, deito, dou a volta, e nem sempre sei bem para onde mesmo é que estou indo. Tenho medo de que o medo me impeça de viver plenamente partes da minha vida, e mais medo ainda que isso impossibilite que meu trabalho tenha bons resultados. Mas continuo. 

Espero que você também possa continuar, não importa a manifestação do seu medo, e de vez em quando, escutá-lo, pois ele precisa de compreensão, mas não alimentá-lo. Erijamos uma placa de letras garrafais para todos os pensamentos que rondam nossas cabecinhas nem sempre argutas: NÃO DÊ GUARIDA AOS MEDOS MAIS! E uma ótima vida a todos e todas!

*Publicado originalmente em: http://www.dear-book.net/2012/10/minhas-palavras-por-uma-vida-mais-plena.html, acesse também para ver os créditos sobre a imagem.

domingo, 28 de outubro de 2012

Para refletir: "Dias chuvosos*"

Oi pessoas! Como estão? Não sei se algum de vocês é aqui do Sul ou como está o tempo onde vocês moram, mas por estes lados tem chovido MUITO. Isso tem me feito pensar bastante, principalmente na minha ambivalência em relação a estes dias chuvosos. E por que ambivalência? Bom por que posso dizer que adoro e detesto dias assim, os dois ao mesmo tempo. 

Adoro quando tenho a possibilidade de ficar em casa, olhando pela janela. Por que por mais que o céu fique com aquela tonalidade cinzenta, sei que o sol está lá atrás em algum ponto, descansando, pronto para voltar à “ativa” assim que as nuvens derem uma "brechinha". 

Agora simplesmente detesto os dias de chuva quando tenho que sair de casa – principalmente quando tem muito vento, parece que não tem guarda chuva que dê conta, e os mínimos passos já deixam você molhada e enregelecida. Aliás, ninguém deve gostar muito não é mesmo? É bom contemplar um dia chuvoso da janela, mas as vezes ele nos surpreende na rua, e sem guarda-chuva. 

Mas adoro mesmo é ver a força de uma tempestade pela janela. Isso sempre me faz pensar, antes de tudo na insignificância de nossa vontade diante da natureza. Nós, seres humanos, somos muito egocêntricos às vezes. Construímos arranha-céus, voamos em aparelhos sofisticados de metal, viajamos e exploramos o fundo dos oceanos. Construímos casas, carreiras, famílias, tanta coisa, mas basta um tapa do destino – um segundo de distração, uma chuva mais forte, um sinal amarelo avançado, um atraso de 5 minutos para sair de casa – e tudo pode ir por água abaixo (com o perdão do trocadilho ...) 

Acaso, destino, carma, muitas são as explicações para estes fatos que nos atingem – assim mesmo, certas vezes como um soco, noutras até um pouco mais suave quando o inesperado é algo positivo – mas é inegável que tendemos a guardar mais as lembranças dos acontecimentos sofridos que vem nos visitar na passarela da vida. 

É interessante, por exemplo, quando na clínica os pacientes começam a dar-se conta da sua responsabilidade nas agruras que os acometem, mesmo aquelas que pareciam independer completamente de sua vontade, e como eles se sentem desesperados para se livrarem disso, o mais rápido possível. Eu queria muito que existisse uma técnica, um botãozinho mágico, uma varinha de condão que resolvesse todos os problemas de todos os meus pacientes. 

E é aí que entra a metáfora – a nossa vida, é tão incontrolável quanto o tempo. Sempre haverão os dias ensolarados, os chuvosos, as tempestades – algumas vezes até uns furacões. E não há como lutar contra isso. O que podemos fazer, é estar preparados para os próximos que virão, pois é isso que a vida é: uma sucessão de acontecimentos, nem sempre fáceis, com os quais aprendemos a lidar de forma mais ou menos eficaz. 

A questão é parar para se perguntar: você está sabendo lidar com o tempo em sua vida? Já consegue reconhecer os sinais de que uma tempestade vem se aproximando? Consegue preparar um abrigo a tempo, para poder sair desta fase o menos atingido possível? Por que é só isso que se pode fazer, as verdadeiras tempestades, quando vem, são difíceis de lidar e, mais ainda, de serem contornadas.

Mas nunca devemos esquecer que é somente depois que a chuva passa que surgem os arco-íris, e que no fim tudo sempre dará certo. E, se não deu ainda, é por que o fim não chegou. Claro, sei muito bem que falar é extremamente fácil, mas que nas borrascas tendemos a nos sentir desamparados. Mas acredito que a vida sempre nos dá o que precisamos, e não o que queremos. E que tudo nessa vida passa, nada é eterno, mas são ciclos que se renovam constantemente.

E você? Como anda lidando com seus "dias chuvosos"?


*Publicado originalmente em: http://www.dear-book.net/2012/10/minhas-palavras-dias-chuvosos.html, acesse para ver também os créditos sobre a imagem.

sábado, 30 de junho de 2012

Resenha: "Psicanálise em perguntas e respostas, verdades mitos e tabus" (David Zimerman)

O campo da área "psi" - e, em particular, da psicanálise - é excessivamente amplo, o que muitas vezes abre espaço para o desenvolvimento de muitos mitos, tabus, crenças e preconceitos. Por muitos ainda considerado espaço destinado a criaturas aberrantes, desequilibradas, "loucas", muitos deixam de se beneficiar de um atendimento e acompanhamento por esse clima de quase misticismo que ainda ronda este campo de saber.

Aliados a isso, estão as grandes indústrias cinematográficas, que reforçam o estereótipo do divã em que o paciente (apesar de o termo correto ser analisando) fica deitado, enquanto o analista ficaria sentado, apenas escutando. Além disso, há tantos termos psicanalíticos que se popularizaram, mas sem que seu significado fosse de fato apreendido, o que faz com que diversas pessoas tenham uma visão distorcida e equivocada do que seria a teoria.

É neste contexto que surge o livro do proeminente psicanalista David Zimerman, que tem como proposta tentar elucidar algumas destas questões de uma maneira prática:  um livro de perguntas e respostas a respeito da psicanálise, que se propõem a ser didático, porém consistente, a fim de dirimir algumas das principais dúvidas relacionadas a este campo do saber.

Outro fator que teve um peso especial na minha decisão de publicar Psicanálise em perguntas e respostas foi o propósito de atingir três objetivos: um é o fato inconteste de que também os leitores pertencentes a psicanálise, desde os iniciantes até os mais veteranos, se beneficiam com uma leitura que os leve diretamente a uma resposta científica imediata acerca de certas questões que versam sobre generalidades, teoria, técnica e prática da psicanálise (...) Uma segunda razão é que, por se tratar de uma ciência abstrata, ainda existe muita nebulosidade entre o que é realmente verdadeiro e o que esta impregnado com inúmeras crenças, crendices, falsas verdades, preconceitos e, inclusive, vários tabus (...) Uma terceira motivação para a divulgação deste livro prende-se ao fato de que o público intelectualmente mais sofisticado e diferenciado, nas mais diversas áreas humanísticas, vem demonstrando um crescente interesse pelos conhecimentos ligados ao mundo do inconsciente e pela psicanálise aplicada.

Após uma breve introdução, o livro subdivide-se em nove partes, cada uma delas referidas a um tema ou assunto central em torno do qual são feitas as perguntas: Por que se formam tantas polêmicas, controvérsias, mitos, e existem tantos tabus, acerca da psicanálise e do psicanalistas? Existe a possibilidade de se fazer um tratamento psicanalítico por telefone ou por e-mail? O que é, de fato, a psicanálise? Em que consiste o tão falado "complexo de Édipo"?

Ao todo, são 546 perguntas instigantes relacionadas à psicanálise, seu surgimento, e sua interlocução entre teoria e prática. O texto pode ser lido tanto de forma progressiva, como aleatoriamente, sem que por isso se perca o fio do raciocínio e se entenda menos as explicações fornecidas por Zimerman a cada uma das indagações.

Apesar de o livro ser bastante didático e ter como um dos objetivos ser dirigido para aqueles que não possuem uma formação analítica, ou encontram-se na formação de base, alguns termos são bem complexos, sendo difíceis se apreender se não há um conhecimento prévio a respeito do que versa o conteúdo. Mesmo assim, Zimerman consegue expor de uma maneira simples, mas não superficial, questões extremamente pertinentes a respeito desta área do conhecimento humano. Recomendo.

Resenha: "A parte obscura de nós mesmos: uma história dos perversos" (Elisabeth Roudinesco)

Este livro, escrito pela psicanalista Elisabeth Roudinesco, explora o universo dos chamados “perversos” traçando, em seu inconfundível estilo, a trajetória do termo e suas diferentes acepções ao longo da história, notadamente seu surgimento como campo da psiquiatria, que a via como uma espécie de aberração, doença, ligada essencialmente às questões concernentes a sexualidade humana – inversão, onanismo, felação, etc, tudo que diz respeito à obtenção de prazer sexual fora dos fins de procriação. 

Até meados do séc. XVIII, a sexualidade humana era então condenada pela igreja, discriminada pela sociedade e controlada pelo Estado, que a punia como crime caso se afastasse do considerado “normal” para os padrões da época. Quando o termo perverso ainda não se havia insurgido, era contra o sodomita que a sociedade cristã da época destilava o ódio mais mortal.


Na época cristã o homossexual tornou-se a figura paradigmática do perverso. O que assim o qualificava, era a escolha de um ato sexual em detrimento o outro. Ser sodomita era recusar a diferença dita “natural” dos sexos, a qual supunha que o coito fosse consumado para fins procriadores (...) Visto como uma criatura satânica, o invertido da era cristã foi então considerado o perverso dos perversos, fadado à fogueira porque atentava contra o laço genealógico.  

Autor de inúmeros ensaios considerados abjetos, o Marques de Sade – a quem devemos o termo hoje largamente utilizado Sádico e Sadismo – é extensamente analisado em todo um capítulo da obra, bem como algumas outras figuras que marcaram época por seus atos ou discursos ditos libertinos, como Gilles de Raise Barba Azul. Seu grande crime foi glorificar o a sodomia como a ordem natural, a realização dos impulsos como uma regra, chamando a sociedade vigente de hipócrita e, por isso mesmo, passando boa parte da vida preso. 

Mais tarde, em meados do séc. XIX, a sexualidade deixa de ser problema do estado e passa a ser algo privado do qual os médicos da época e, em especial, os psiquiatras, se ocupam. A sexualidade humana passa a ser um tema passível de estudo, análise, e categorização. A questão agora não é mais excluir o perverso como alguém aberrante e pavoroso, capaz de contaminar aos demais, mas de tentar “salvar” os libertinos, considerados mentes desequilibradas - aqueles que se considerar poderem ser salvos, claro.

Neste contexto, o discurso positivista da medicina mental propõe a burguesia triunfante a moral com que nunca deixou de sonhar: uma moral de segurança modelada pela ciência e não mais pela religião. duas disciplinas derivadas da psiquiatria, a sexologia e a criminologia, recebem aliás a missão de esmiuçar os aspectos mais sombrios da alma humana.

Surgem então modelos médicos de cura que são tão perversos quanto aqueles a quem se propõem curar: cintos antimasturbatórios, ameaças de castração, mãos algemadas, intervenções cirúrgicas nos órgãos genitais, muitas vezes mutiladoras. 

No fim do século XIX e com o advento da psicanálise, a criança passa a ser vista como portadora de uma sexualidade polimorfa, o que faz com que a sociedade dirija agora seu olhar para ela e aquele que agora pode invadi-la em suas descobertas - o pedófilo. Mas para Freud, ao contrário do que se popularizou, os perversos não seriam criaturas aberrantes, doentes, proscritos, mas a perversão seria uma parte de todos nós - obscura, por isso negada.

A perversão, segundo Freud, é de certa forma natural no homem. Clinicamente é uma estrutura psíquica: ninguém nasce perverso, torna-se um ao herdar, de uma história singular e coletiva em que se misturam educação, identificações inconscientes, traumas diversos. tudo depende em seguida do que cada sujeito faz da perversão que carrega em si: rebelião. superação, sublimação - ou, ao contrário, crime, autodestruição e outros.

Roudinesco passa então a analisar o caráter de perversão por trás das atrocidades cometidas na segunda guerra mundial e, em particular, na Alemanha Nazista, quando um grupo de pessoas reuniu-se não só para decidir a respeito de toda uma raça, entre sua vida e morte, mas fazendo o possível para retirar-lhes a condição de humanidade. Mas e hoje? quem seriam os perversos? Existe A Perversão? Ou será que hoje deveríamos falar dAs perversões, no plural, se quisermos entender a abrangência que o termo se imbui?

Um texto dinâmico e muito bem fundamentado, que nos faz mergulhar na história e nos ditos por trás da aparente naturalidade da realidade que ora se nos apresenta, debatendo os diferentes pontos de vista a respeito da temática, e deixando no desfecho um amplo espaço para reflexão. Recomendo.



terça-feira, 19 de junho de 2012

Promoção 80 seguidores

E aí pessoas! Tudo bem?  E chegamos aos 82! Tínhamos 78 quando entrei perto do meio dia!

Mas sem delongas vamos descobrir quem será o sortudo - ou sortuda - que levará os marcadores.

Primeiramente, quero pedir desculpas por não saber usar direito o random.org! Vou explicar como eu fiz, fui no formulário de inscrição do sorteio e peguei o número total de inscritos (no caso 46) e sorteei pelo Random. Tive que repeti-lo 4 vezes, muita gente não comentou em nenhuma postagem e regras são regras ...  E a sortuda foi …Lorraine Ingrid Souza Lopes ! Parabéns para leitora, estarei mandando um e-mail para avisá-la e pegar seus dados para o envio!




Muito obrigada a todos e todas que participaram, e fiquem atentos aos novos sorteios que virão!

Abraços :)