sábado, 30 de junho de 2012

Resenha: "Psicanálise em perguntas e respostas, verdades mitos e tabus" (David Zimerman)

O campo da área "psi" - e, em particular, da psicanálise - é excessivamente amplo, o que muitas vezes abre espaço para o desenvolvimento de muitos mitos, tabus, crenças e preconceitos. Por muitos ainda considerado espaço destinado a criaturas aberrantes, desequilibradas, "loucas", muitos deixam de se beneficiar de um atendimento e acompanhamento por esse clima de quase misticismo que ainda ronda este campo de saber.

Aliados a isso, estão as grandes indústrias cinematográficas, que reforçam o estereótipo do divã em que o paciente (apesar de o termo correto ser analisando) fica deitado, enquanto o analista ficaria sentado, apenas escutando. Além disso, há tantos termos psicanalíticos que se popularizaram, mas sem que seu significado fosse de fato apreendido, o que faz com que diversas pessoas tenham uma visão distorcida e equivocada do que seria a teoria.

É neste contexto que surge o livro do proeminente psicanalista David Zimerman, que tem como proposta tentar elucidar algumas destas questões de uma maneira prática:  um livro de perguntas e respostas a respeito da psicanálise, que se propõem a ser didático, porém consistente, a fim de dirimir algumas das principais dúvidas relacionadas a este campo do saber.

Outro fator que teve um peso especial na minha decisão de publicar Psicanálise em perguntas e respostas foi o propósito de atingir três objetivos: um é o fato inconteste de que também os leitores pertencentes a psicanálise, desde os iniciantes até os mais veteranos, se beneficiam com uma leitura que os leve diretamente a uma resposta científica imediata acerca de certas questões que versam sobre generalidades, teoria, técnica e prática da psicanálise (...) Uma segunda razão é que, por se tratar de uma ciência abstrata, ainda existe muita nebulosidade entre o que é realmente verdadeiro e o que esta impregnado com inúmeras crenças, crendices, falsas verdades, preconceitos e, inclusive, vários tabus (...) Uma terceira motivação para a divulgação deste livro prende-se ao fato de que o público intelectualmente mais sofisticado e diferenciado, nas mais diversas áreas humanísticas, vem demonstrando um crescente interesse pelos conhecimentos ligados ao mundo do inconsciente e pela psicanálise aplicada.

Após uma breve introdução, o livro subdivide-se em nove partes, cada uma delas referidas a um tema ou assunto central em torno do qual são feitas as perguntas: Por que se formam tantas polêmicas, controvérsias, mitos, e existem tantos tabus, acerca da psicanálise e do psicanalistas? Existe a possibilidade de se fazer um tratamento psicanalítico por telefone ou por e-mail? O que é, de fato, a psicanálise? Em que consiste o tão falado "complexo de Édipo"?

Ao todo, são 546 perguntas instigantes relacionadas à psicanálise, seu surgimento, e sua interlocução entre teoria e prática. O texto pode ser lido tanto de forma progressiva, como aleatoriamente, sem que por isso se perca o fio do raciocínio e se entenda menos as explicações fornecidas por Zimerman a cada uma das indagações.

Apesar de o livro ser bastante didático e ter como um dos objetivos ser dirigido para aqueles que não possuem uma formação analítica, ou encontram-se na formação de base, alguns termos são bem complexos, sendo difíceis se apreender se não há um conhecimento prévio a respeito do que versa o conteúdo. Mesmo assim, Zimerman consegue expor de uma maneira simples, mas não superficial, questões extremamente pertinentes a respeito desta área do conhecimento humano. Recomendo.

Resenha: "A parte obscura de nós mesmos: uma história dos perversos" (Elisabeth Roudinesco)

Este livro, escrito pela psicanalista Elisabeth Roudinesco, explora o universo dos chamados “perversos” traçando, em seu inconfundível estilo, a trajetória do termo e suas diferentes acepções ao longo da história, notadamente seu surgimento como campo da psiquiatria, que a via como uma espécie de aberração, doença, ligada essencialmente às questões concernentes a sexualidade humana – inversão, onanismo, felação, etc, tudo que diz respeito à obtenção de prazer sexual fora dos fins de procriação. 

Até meados do séc. XVIII, a sexualidade humana era então condenada pela igreja, discriminada pela sociedade e controlada pelo Estado, que a punia como crime caso se afastasse do considerado “normal” para os padrões da época. Quando o termo perverso ainda não se havia insurgido, era contra o sodomita que a sociedade cristã da época destilava o ódio mais mortal.


Na época cristã o homossexual tornou-se a figura paradigmática do perverso. O que assim o qualificava, era a escolha de um ato sexual em detrimento o outro. Ser sodomita era recusar a diferença dita “natural” dos sexos, a qual supunha que o coito fosse consumado para fins procriadores (...) Visto como uma criatura satânica, o invertido da era cristã foi então considerado o perverso dos perversos, fadado à fogueira porque atentava contra o laço genealógico.  

Autor de inúmeros ensaios considerados abjetos, o Marques de Sade – a quem devemos o termo hoje largamente utilizado Sádico e Sadismo – é extensamente analisado em todo um capítulo da obra, bem como algumas outras figuras que marcaram época por seus atos ou discursos ditos libertinos, como Gilles de Raise Barba Azul. Seu grande crime foi glorificar o a sodomia como a ordem natural, a realização dos impulsos como uma regra, chamando a sociedade vigente de hipócrita e, por isso mesmo, passando boa parte da vida preso. 

Mais tarde, em meados do séc. XIX, a sexualidade deixa de ser problema do estado e passa a ser algo privado do qual os médicos da época e, em especial, os psiquiatras, se ocupam. A sexualidade humana passa a ser um tema passível de estudo, análise, e categorização. A questão agora não é mais excluir o perverso como alguém aberrante e pavoroso, capaz de contaminar aos demais, mas de tentar “salvar” os libertinos, considerados mentes desequilibradas - aqueles que se considerar poderem ser salvos, claro.

Neste contexto, o discurso positivista da medicina mental propõe a burguesia triunfante a moral com que nunca deixou de sonhar: uma moral de segurança modelada pela ciência e não mais pela religião. duas disciplinas derivadas da psiquiatria, a sexologia e a criminologia, recebem aliás a missão de esmiuçar os aspectos mais sombrios da alma humana.

Surgem então modelos médicos de cura que são tão perversos quanto aqueles a quem se propõem curar: cintos antimasturbatórios, ameaças de castração, mãos algemadas, intervenções cirúrgicas nos órgãos genitais, muitas vezes mutiladoras. 

No fim do século XIX e com o advento da psicanálise, a criança passa a ser vista como portadora de uma sexualidade polimorfa, o que faz com que a sociedade dirija agora seu olhar para ela e aquele que agora pode invadi-la em suas descobertas - o pedófilo. Mas para Freud, ao contrário do que se popularizou, os perversos não seriam criaturas aberrantes, doentes, proscritos, mas a perversão seria uma parte de todos nós - obscura, por isso negada.

A perversão, segundo Freud, é de certa forma natural no homem. Clinicamente é uma estrutura psíquica: ninguém nasce perverso, torna-se um ao herdar, de uma história singular e coletiva em que se misturam educação, identificações inconscientes, traumas diversos. tudo depende em seguida do que cada sujeito faz da perversão que carrega em si: rebelião. superação, sublimação - ou, ao contrário, crime, autodestruição e outros.

Roudinesco passa então a analisar o caráter de perversão por trás das atrocidades cometidas na segunda guerra mundial e, em particular, na Alemanha Nazista, quando um grupo de pessoas reuniu-se não só para decidir a respeito de toda uma raça, entre sua vida e morte, mas fazendo o possível para retirar-lhes a condição de humanidade. Mas e hoje? quem seriam os perversos? Existe A Perversão? Ou será que hoje deveríamos falar dAs perversões, no plural, se quisermos entender a abrangência que o termo se imbui?

Um texto dinâmico e muito bem fundamentado, que nos faz mergulhar na história e nos ditos por trás da aparente naturalidade da realidade que ora se nos apresenta, debatendo os diferentes pontos de vista a respeito da temática, e deixando no desfecho um amplo espaço para reflexão. Recomendo.



terça-feira, 19 de junho de 2012

Promoção 80 seguidores

E aí pessoas! Tudo bem?  E chegamos aos 82! Tínhamos 78 quando entrei perto do meio dia!

Mas sem delongas vamos descobrir quem será o sortudo - ou sortuda - que levará os marcadores.

Primeiramente, quero pedir desculpas por não saber usar direito o random.org! Vou explicar como eu fiz, fui no formulário de inscrição do sorteio e peguei o número total de inscritos (no caso 46) e sorteei pelo Random. Tive que repeti-lo 4 vezes, muita gente não comentou em nenhuma postagem e regras são regras ...  E a sortuda foi …Lorraine Ingrid Souza Lopes ! Parabéns para leitora, estarei mandando um e-mail para avisá-la e pegar seus dados para o envio!




Muito obrigada a todos e todas que participaram, e fiquem atentos aos novos sorteios que virão!

Abraços :)